Editorial
Nº 6, Volume 4 de 2025
PhD. Carlos Rafael Figueredo Verdecia
Editor-Chefe
"Da curiosidade à descoberta: a ciência como chave do progresso"
Ao lançarmos esta nova edição da FARMHOUSE Ciência & Tecnologia, convidamos a comunidade académica angolana a reflectir sobre o papel transformador da ciência no tecido da nossa sociedade. A curiosidade é o ponto de partida — o impulso silencioso que desafia o desconhecido, que interroga o quotidiano, que se transforma, quando bem nutrido, na semente das grandes descobertas. Como já dizia Albert Einstein: "A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original."
A ciência não acontece em compartimentos estanques; ela se constrói na sala de aula, no laboratório improvisado, nas conversas entre colegas, nos erros que ensinam mais do que mil acertos. Em cada universidade angolana reside um imenso potencial de produção de saber, que urge ser revelado, partilhado e celebrado. É neste contexto que esta revista assume um compromisso com a socialização do conhecimento científico — uma tarefa que transcende a publicação de artigos: é, sobretudo, um acto de responsabilidade pública.
Acreditamos que a universidade deve exercer um papel além da formação técnica. Ela deve ser um centro cultural dinâmico, promotor do pensamento crítico, da criatividade e da ética. A Angola que queremos construir depende de uma academia viva, conectada com os desafios contemporâneos do país e empenhada na busca de soluções baseadas em evidências e em inovação. "Educação não é preparação para a vida; educação é a própria vida", disse John Dewey — e é neste espírito que reafirmamos o papel da universidade como farol do desenvolvimento.
O progresso de uma sociedade mede-se, em grande parte, pela capacidade que tem de gerar, aplicar e disseminar conhecimento. Por isso, neste momento em que celebramos o número 6 da FARMHOUSE Ciência & Tecnologia, reiteramos o nosso compromisso com a valorização da investigação produzida por centenas de docentes, investigadores e estudantes angolanos. Nos dois anos desde a fundação da revista, mais de 80 artigos científicos de alto impacto foram publicados, contribuindo para o reforço da visibilidade da ciência feita em Angola e com pertinência global.
O próximo número da revista FARMHOUSE Ciência & Tecnologia apresenta uma colectânea de artigos que reflectem a vitalidade, a diversidade temática e o compromisso da publicação com a produção de conhecimento relevante para a sociedade contemporânea. Os títulos dos artigos revelam uma edição marcada pela interdisciplinaridade, pelo diálogo entre ciência, tecnologia e questões sociais, e pela atenção especial aos contextos angolano e internacional.
Destaca-se, nesta edição, a abordagem inovadora sobre segurança pública, direitos humanos e criminologia. Temas como a preservação da segurança pública em sintonia com os direitos humanos em Angola, o uso da inteligência artificial na previsão de sistemas complexos ligados à criminalidade urbana, e as reflexões críticas sobre as teorias da complexidade e do caos aplicadas à criminologia contemporânea, demonstram a busca por soluções científicas e tecnológicas para desafios sociais urgentes. A análise do comportamento desviante de jovens de rua em Luanda e a sobrelotação hospitalar no contexto prisional reforçam a importância de estudos empíricos voltados para a realidade local.
A criminalística ganha destaque com artigos que exploram desde o mecanismo de formação criminalística da tatuagem, passando pelos contributos da peritagem preventiva, até a importância de espécies como Necrobia rufipes em investigações forenses. A presença de estudos sobre a crise mundial do Fentanil e os critérios de identidade na criminalística cubana amplia o horizonte internacional da edição, promovendo o intercâmbio de experiências e saberes.
Os artigos dedicados à educação, inclusão social e gestão organizacional evidenciam o compromisso da revista com o desenvolvimento humano. Questões como o microcrédito como ferramenta de inclusão, os desafios comportamentais na tomada de decisão, o impacto do recrutamento e selecção de pessoal em instituições de ensino, e a comunicação interna na gestão escolar, são tratados sob uma perspectiva científica, propondo caminhos para a melhoria das práticas institucionais. A diversidade cultural nas escolas e as implicações jurídico-sociais da Covid-19 para o setor educativo em Angola reflectem a sensibilidade da revista às transformações sociais e aos desafios emergentes.
Por fim, a análise e implementação de políticas de segurança em redes de dados sensíveis, com estudo de caso no ISIA, demonstra a preocupação crescente com a protecção da informação em ambientes académicos e institucionais, tema essencial na era digital.
A presente edição da FARMHOUSE Ciência & Tecnologia reafirma o papel fundamental da ciência como instrumento de transformação social, inovação e desenvolvimento sustentável. Ao reunir pesquisas que dialogam com a realidade angolana e internacional, a revista contribui para o avanço do conhecimento científico, fomenta a interdisciplinaridade e incentiva a busca por soluções criativas e eficazes para problemas complexos. Trata-se de uma edição que, ao valorizar a diversidade de temas e metodologias, fortalece a relevância da ciência para a construção de sociedades mais justas, seguras e inclusivas.
Esta edição é, portanto, uma homenagem a todos aqueles que diariamente transformam a inquietação intelectual em descobertas que moldam o futuro. "A pesquisa é ver o que todo mundo viu e pensar o que ninguém pensou", ensinou Albert Szent-Györgyi. Queremos, com este número, reafirmar que a curiosidade é o motor, a ciência é o caminho, e o progresso é a meta.
Convidamos os leitores — académicos, estudantes, decisores e cidadãos — a explorar os conteúdos aqui reunidos com espírito crítico e entusiasmo renovado. E deixamos o apelo: que cada descoberta seja partilhada, que cada experiência seja valorizada, que cada sala de aula seja um embrião de mudança.
Porque o saber partilhado é o saber que move o mundo.